Caixa de texto: MOVIMENTO OÁSIS

CELEBRAÇÃO DO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DO

P. VIRGÍNIO ROTONDI EM PORTUGAL (25.04.2012)

O Centro de Espiritualidade Oásis e a Casa dos Irmãos Maristas, em Ermesinde, acolheram, no passado dia 25 de abril, muitos oasistas, para a celebração do centenário no nascimento do padre jesuíta italiano Virgínio Rotondi (1912-1990), fundador do Movimento Oásis. Presidiu à Eucaristia o bispo do Porto, D. Manuel Clemente, que, na homilia, partindo da Palavra de Deus da festa de São Marcos e evocando o ambiente confuso de Roma, onde o evangelista possivelmente viveu, afirmou que «o sossego permanente, o “oásis”, das comunidades cristãs, onde podem efetivamente refrescar-se, repousar e segurar-se é o próprio Deus». Acrescentou que o P. Rotondi percebeu isso muito bem e lembrou-o em tempos de muitas dificuldades na vida da Igreja e da sociedade europeia, durante e depois da segunda guerra mundial. Referiu que «ele era um homem de grande versatilidade, quer do ponto de vista cultural, quer do ponto de vista artístico, da pregação da Palavra de Deus, do conhecimento das Escrituras. Era um homem de uma enorme irradiação de vida, de uma exuberante irradiação de Cristo na sua vida, porque o P. Rotondi, através do Movimento Oásis e de outras iniciativas, foi um dos que bem percebeu que só em Deus encontramos o refrigério, o repouso, a segurança». Deixou, depois, o apelo aos presentes para que, a partir da fonte permanente que jorra em Jesus Cristo, também dessedentem os outros, «em cada momento e em qualquer circunstância, quer familiar, quer profissional, quer social, quer empresarial, quer escolar».

Antes da Eucaristia já Ana Maria Santos, do instituto Ancilla Domini, e o diácono Sérgio Leal tinham partilhado com os presentes, respetivamente, o papel do P. Rotondi e da sua proposta espiritual nas suas vidas. Ana Maria Santos, do instituto secular Ancilla Domini, que conheceu e contactou diretamente com o P. Rotondi, referiu que era «uma personalidade viva e multifacetada, pautada pela radicalidade, exigência e proximidade», que exigia dos jovens o máximo no desenvolvimento das suas capacidades e um amor a todos em todos os momentos e situações. Recordou também o quanto ele valorizava a fidelidade aos compromissos assumidos, nomeadamente no que se refere a «um “sim” dado com entusiasmo, na juventude». Sérgio Leal, que não conheceu P. Rotondi, partilhou as ressonâncias da sua espiritualidade no próprio percurso vocacional, sublinhando a feição integradora da sua proposta, porquanto «as várias dimensões humana, intelectual, espiritual e vocacional não são compartimentos estanques, mas um todo que Deus quer tomar, partir e repartir pelos irmãos». Referiu ainda que «inundam o meu coração, os rostos, as partilhas cheias de amor e de vida escutadas em cada curso, os jovens que tão de perto têm caminhado comigo e me ajudam a dar este passo com maior confiança, os momentos de oração e de intimidade com Deus, o manto de Maria que me acolheu em cada alegria e me sustentou em cada queda, a alegria e o testemunho de tantos que vivem com afinco o “Serviço por Amor” e irradiam a beleza daqueles que colocam todas as suas forças numa entrega total e disponível».

Ao início da tarde, foi apresentado o CD Construir Oásis, editado pelas Edições Salesianas, com temas que o P. Eleutério Pais foi preparando, ao longo dos anos, para a animação dos encontros juvenis do Movimento Oásis, interpretados por Ana Filipa Lima, Vasco Miranda e Abraão Silva. Depois do diácono Sérgio Leal ter apresentado o itinerário da concretização do projeto, o P. Eleutério Pais referiu que as canções são muito situadas, porque habitualmente procura «usar as palavras e as mensagens do Movimento Oásis». Aduziu ainda que «são orações cantadas e, por isso, mais importante do que a música, é o que nós dizemos em palavras; a música é só uma espécie de alicerce onde a palavra vai ganhando consistência e possivelmente vai crescendo».

Moderado pelo P. José Araújo, seguiu-se um painel de seis testemunhos de pessoas que conheceram direta e pessoalmente o P. Virgínio Rotondi. Entre eles, o de Virgínia Minelli, secretária internacional do Movimento Oásis e oasista desde a sua fundação, em 1950. Percebeu no P. Rotondi «um exemplo de vida quotidiana exemplar: de humildade, de busca de Deus, de atenção e disponibilidade ao próximo, a qualquer tipo de próximo: desde o papa, aos bispos, aos seus superiores, a tantos leigos, crentes ou não crentes, pobres ou ricos, humildes ou poderosos». Destacou a sua disponibilidade particular para o mundo juvenil, referindo que «para cada jovem não havia um tempo ou uma hora estabelecida para ser recebido ou ouvido». Acrescentou a intensidade da sua vida espiritual, a atenção às novidades e atualizações teológico-pastorais, assim como aos meios de comunicação, para referir o quanto ele apreciaria certamente hoje «as novas tecnologias e o “mundo digital”, que facilitam a transmissão de todas as mensagens num espaço sem fronteiras».  A irmã Maria Amélia Costa, franciscana missionária da Imaculada Conceição, referiu que «o P. Rotondi foi um homem de cinco amores: a Cristo, a Maria, à Igreja, à sua família religiosa (os jesuítas) e aos jovens». O P. Carlos Alberto Pereira, que durante muitos anos colaborou com o P. Emílio Silva na condução do Movimento Oásis em Portugal, sublinhou alguns dos pontos da espiritualidade do serviço que o P. Rotondi propôs, nomeadamente o desenvolvimento das capacidades e o interesse pelo mundo. Referiu também a sua capacidade de «falar uma linguagem jovem: de ser jovem no meio dos jovens e não só; de saber estar “à la page” nos seus problemas e questões». Natália Silva, que com ele contactou em Roma, traduziu a variedade da sua cultura, a sua capacidade de acolher e de escutar, a sua vida interior muito ligada a Jesus e a Maria, a sua atenção e empenho na vida cívica. Helena Silva evocou a sua presença na bênção da primeira pedra do Centro de Espiritualidade Oásis e a sua capacidade de atrair com exigência a juventude. O P. Eleutério Pais mencionou o grande amor do P. Rotondi pelo Oásis de Portugal, referindo o compromisso daí decorrente na consolidação do Movimento no presente para que o futuro dê muito fruto. Testemunhou ainda a simplicidade austera do seu viver, em contraste com a sua abundante cultura, assim como o grande amor a Jesus e a atenção às realidades e acontecimentos do mundo.

Pensando sobretudo em quantos não estiveram na apresentação oficial no sábado anterior, no termo do encontro, o P. Adélio Abreu apresentou brevemente o livro de Imelda Leone Padre Rotondi: O homem do “Sim”, editado pela Paulus Editora. Referiu tratar-se de um livro onde abundam «os episódios, os testemunhos e as próprias palavras do P. Rotondi», numa «escrita ao correr da pena, de leitura fácil», passível de ser lida «de um só folgo, tal é o ritmo do texto, a seduzir o leitor». Acrescentou tratar-se de «um texto de sabor hagiográfico, de que emerge um perfil a admirar, um modelo a colher, uma unção espiritual que tece o percurso de uma vida e se projeta sobre tantas».

Durante todo o encontro decorreu uma breve exposição fotobiográfica do P. Virgínio Rotondi, preparada pelo P. José Araújo. Em vários painéis, destacam-se as dimensões fundamentais da vida do P. Rotondi: cronologia; vida e ministério; serviço a Cristo; serviço à Igreja; serviço ao homem; serviço à juventude; o P. Rotondi vivo na vida do Movimento Oásis…

A proposta espiritual do Movimento Oásis passa por responder à vocação universal à santidade, concebendo a vida como um serviço por amor, no desenvolvimento de todas as capacidades, no conhecimento e compreensão das necessidades do mundo, numa atitude de humildade, no “Sim” da entrega a Cristo e aos irmãos.

EXPOSIÇÃO FOTOBIOGRÁFICA DO P. ROTONDI

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