Caixa de texto: MOVIMENTO OÁSIS

COMO A CHUVA E A NEVE…

EM MEMÓRIA DO P. BUTTI (1932-2012)

EXPOSIÇÃO FOTOBIOGRÁFICA DO P. ROTONDI

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Faleceu no dia 30 de maio de 2012, quarta-feira, de forma inesperada, em San Giovanni di Valdarno, Itália, o P. Saverio Butti, que colaborou durante muitos anos com o P. Rotondi, ao serviço do Movimento Oásis, a que continuou sempre ligado. Nasceu a 10 de março de 1932 em Montevarchi e foi ordenado presbítero a 29 de junho de 1955. Atualmente residia na casa de repouso de San Giovanni Valdarno e era delegado episcopal da pastoral da saúde da diocese de Fiesole. O P. Butti participara ainda recentemente, a 22 de Maio, nas celebrações do centenário do nascimento do P. Rotondi em Itália (ver foto). As exéquias foram celebradas na tarde do dia 1 de junho, na Colegiada de São Lourenço, em Montevarchi. O «serviço por amor» que lhe animou a vida e o ministério presbiteral floresce agora no amor pleno que perfaz a eternidade…

 

Em sua memória, oferecemos a tradução portuguesa da sua última colaboração no Crescere 48/2-3 (2012) 2-3:

 

«Na manhã de terça-feira da primeira semana da quaresma, celebrando a santa missa, fui particularmente tocado pelas palavras do profeta Isaías na primeira leitura:

“Como a chuva e a neve descem do céu e não voltam para lá sem terem regado a terra, sem a terem fecundado e feito produzir, para que dê a semente ao semeador e o pão para comer, assim será com a palavra que sai da minha boca: não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter realizado o que desejo” (Is 55, 10-11).

A imagem da Palavra de Deus comparada à chuva parece-me muito apropriada, Pensava: no terreno seco e duro a água corre rapidamente. Se a quantidade é pouca não chega às sementes escondidas no terreno. Mas se continua a chover, o terreno amolece e permite que a água chegue às sementes; aí inunda, abre e impele as raízes para que suguem os sais minerais do terreno dissolvidos pela chuva. Assim, germinam, crescem e chegam a dar fruto.

Assim acontece connosco. Se nos limitamos a escutar superficialmente a Palavra de Deus, ela escapa, como a chuva em terreno duro, e facilmente a esquecemos. Mas se, como a Virgem Maria, “conservamos a Palavra meditando-a no nosso coração”, produz fruto, como em Maria: “o Bendito Fruto do seu seio”. Referindo-se à identidade de sua mãe, Jesus disse: “Quem é a minha mãe? Quem escuta a palavra de Deus e a põe em prática, e quem como ela escuta e põe em prática, é meu irmão, irmã e mãe!”. A escuta atenta da Palavra de Deus realiza em nós “o que Deus deseja”. E o que é que deseja? “Deus deseja que sejamos confirmes à imagem do seu Filho: a isto nos predestinou”.

Quando Deus criou o homem: “à imagem de Deis o criou” e a imagem que tinha em mente era exatamente a do Filho.

Ora, nenhuma criatura humana é “imagem” do Filho como Maria.  Fisicamente só Jesus se parece com sua Mãe, mas espiritualmente Maria, como mais ninguém, perece-se com o Filho. Ela é a “Ancilla Domini”, “a serva do Senhor”, e é a Mãe de “Aquele que é ‘o Servo de Javhé’”, o Servo que veio para servir e não para ser servido.

Refletia: quão sábia foi a decisão de Padre Rotondi ao colocar entre os compromissos do Oásis, o da “meditação quotidiana”. Nós que vivemos com ele em Villa Sorriso, sabemos por experiência quão profunda era a “meditação” do “padre”. Quando ia para a capelinha para a celebração eucarística, tinha meditado longamente a Palavra de Deus. Levantava-se às quatro da manhã e ia para a capela espiritualmente cheio, derramando sobre nós a riqueza alcançada no seu imergir no mar em que “o naufragar é doce” (Leopardi).

Estamos a aproximar-nos da celebração do centenário do seu nascimento; agradar-lhe-ia particularmente o propósito de o imitar neste amor à Palavra de Deus.

Se o Oásis quer “multiplicar Maria”: dever estar “atento e reflexivo”, como Ela, a esta “carta de amor” que Deus nos enviou. Nada nos pode impelir a sermos “servos” como a escuta atenta e prolongada de quanto Deus nos vai dizendo.

Maria, refletindo sobre o que o anjo lhe tinha dito, sentiu-se impelida a ser serva da prima Isabel, e deslocou-se apressadamente a sua casa não só para fazer os serviços pesados ao estado em que se encontrava, mas também para a encher do Espírito Santo de que Maria estava cheia.

A meditação traz luz ao intelecto e força à vontade para traduzir na prática quanto o Senhor nos vai sugerindo.

A Páscoa que se avizinha nos encontre prontos a fazer esta “passagem”. Desperte em nós o ardor de reservar para Jesus tempos especiais em que estamos com Ele a sós para O escutarmos e para Lhe dizermos todo o nosso amor.

Desejo a todos uma Santa Páscoa na companhia da Virgem, a que cantaremos:

“Regina coeli laetare. Alleluia.

quia quem meruisti portare. Alleluia.

Resurrexit sicut dixit. Alleluia.

Ora pro nobis Deum. Alleluia”».

.:2017/2018:. Movimento Oásis: um caminho de vocação. Juventude em discernimento