Caixa de texto: MOVIMENTO OÁSIS

EXEMPLO DE ENTREGA E DE SERVIÇO

Recordar P. Rotondi, fazer memória dos bons momentos que passei a seu lado, em Villa Sorriso (de 13/8 a 13/9 de 1984), é como invocar uma espécie de labirinto, onde a saudade se esconde, onde o silêncio fala, onde a sua ausência é mais presença, intervindo de forma direta e determinante na formação do meu caráter e da minha personalidade.

Penetrar no coração deste sacerdote jesuíta, de uma fidelidade total ao Papa e à Igreja, interpretar as suas excelentes capacidades humanas, descobrir os encantos da sua vida interior, tão fervorosa e profunda, repleta de sonhos, de desafios, de extraordinária criatividade, é sentir e viver a experiência de um Movimento que se projeta e amplia à custa de alguns sacrifícios e tribulações, mas sempre encorajado pela força espiritual do seu Fundador.

O seu entusiasmo, o seu sorriso, a sua requintada sensibilidade, o seu dinamismo, a sua rara capacidade de acolher e de escutar, o seu forte empenhamento na vida civil, política e cultural, fizeram de P. Rotondi um exemplo admirável de entrega, de serviço, de liberdade.

Relembro-me também do seu lado lúdico, de convívio, quando nos surpreendia com o seu estro e tocava acordeão. Em vésperas da nossa partida para Portugal – já com a presença divina coroada de estrelas – estávamos nós, num dos pátios da casa, a saborear delicioso “gelato”, com que a Virgínia nos “mimava”, quando, de repente, aparece P. Rotondi e toca algumas músicas do folclore italiano e português. Ficamos maravilhadas com a sua atitude, pois notava-se que estava bastante cansado.

Ao reviver aquele clima suavíssimo e repousante, aquela brisa morna do entardecer, em que rezava o terço com o Pe. Rotondi e algumas ancillas, percorrendo os exteriores do Centro, alvorece na minha alma a comoção, que em meus olhos é lágrima e nostalgia.

Foi muito proveitoso poder consultar  P. Rotondi sobre as dúvidas de fé que me assolavam! Acabava sempre por me repetir: “Gesù Solo”! É preciso deixar que os outros vejam em nós refletida a imagem serena de Jesus...”

Isto fez renascer em mim uma vontade enorme de levar esta espiritualidade oasista à juventude tão inquieta como eu, certa de que só alcançaremos a verdadeira felicidade quando o Além nos chamar e nos encontrarmos frente a frente com o Amor Incriado.

Na última carta que P. Rotondi me escreveu, notava-se já essa alma

ansiosa de voar rumo ao Infinito.

“…A minha vida é já longa, embora eu não rejeite aquilo que Jesus me pede, ou pedirá; sinto em mim o desejo de O encontrar, definitivamente: com Maria, sua e nossa querida Mãe… Abençoo-te de todo o coração. Até ao Céu!”

Até ao Céu Padre Rotondi!

Natália Silva

Lamego

.:2017/2018:. Movimento Oásis: um caminho de vocação. Juventude em discernimento