Caixa de texto: MOVIMENTO OÁSIS

RECORDAÇÕES DISPERSAS

Estamos na iminência da celebração do centenário do nascimento do P. Virgínio Rotondi, jesuíta, fundador do movimento de espiritualidade Oásis. Esse movimento de Igreja, do qual participei tanto na Itália como no Brasil, deixou marcas profundas na minha maneira de ver e encarar a vida e a espiritualidade, além de me dar a conhecer um pouco desse extraordinário sacerdote. Convivi algum tempo com P. Virgínio, uma vez que, no início dos anos setenta, quase semanalmente percorria a Via dei Laghi, até ao Centro Internacional do Movimento Oásis, a fim de prestar alguma ajuda, sobretudo nas correspondências em língua portuguesa. Foi um tempo rico de contactos com P. Virgínio, quando pude convencer-me da força da palavra SIM (SI! Una parola che può cambiare la tua vita!) na vida do Movimento e na minha própria vida. Um aspeto que sempre me chamou a atenção na prática e no coração do P. Rotondi foi seu amor incondicional à Igreja, que defendia com ardor e convicção, sobretudo quando atacada. Tanto nos meios eclesiásticos, como no mundo das comunicações a sua voz era ouvida e respeitada. Circulava com desenvoltura nos estúdios de televisão e nas maiores editoras de revistas e jornais. Promovia debates, participava em fóruns, escrevia artigos elucidativos, argumentava com a lógica de um jesuíta fiel aos seus princípios e obediente à Igreja, à qual devotava amor sem limites, que procurava transmitir tanto à sociedade quanto aos membros do Movimento como uma das caraterísticas do SIM. A sua prática de defesa da doutrina e a força da sua argumentação e expressão verbal abriram-lhe as portas das estruturas eclesiásticas em todos os escalões, não à procura do poder, mas onde manifestava com desembaraço e ardor as suas convicções e o seu amor. Há, inclusive, alguns símbolos tangíveis conservados no Centro Internacional do Movimento Oásis, em Castelgandolfo, que corroboram esta minha afirmação. Há uma foto do tempo de Pio XII, quando o terço era diariamente proclamado através das ondas da Rádio Vaticano, em que se veem o P. Rotondi de pé, diante do microfone e, de joelhos, um à esquerda e outro à direita, dois ilustres personagens: Pio XII e Paulo VI, então Secretário Mons. Montini. No Centro Internacional conservam-se também os famosos canarinhos que pertenceram a Pio XII. Outra lembrança, igualmente interessante é a do breviário utilizado pelo Papa João XXIII para suas preces litúrgicas, que P. Virgínio Rotondi recebeu como preito de homenagem. O detalhe está na fita, que permaneceu no dia da morte do Papa “Buono”. P. Rotondi privou também da amizade e da proximidade com o beato João Paulo II, com o qual se encontrou diversas vezes, tanto no Vaticano como em Castelgandolfo nos períodos de férias do Papa. Para rezar com João Paulo II e para partilhar seu amor à Igreja e a vida do Movimento, levava grupos de jovens oasistas do outro lado do Lago Albano, no pátio interno do palácio pontifício, onde ocorriam esses momentos de partilha e descanso. Aliás, o lema do beato João Paulo II, “Totus Tuus”, inspirou-se na espiritualidade do Oásis, segundo consta. João Paulo II confidenciou que, quando seminarista estudante de teologia em Roma caiu-lhe nas mãos um livrinho sobre a espiritualidade do “Serviço por Amor”, de um autor que somente chegaria a conhecer quando Papa. Não era senão, P. Virgínio Rotondi. Esse opúsculo foi o inspirador da pastoral de Karol Wojtyla, sobretudo no início da sua missão evangelizadora e nos seus contatos com a juventude. Estes dados podem ser anedóticos, mas registam o grau de afinidade, aproximação e afeto que ligavam o P. Rotondi ao centro da cristandade, representada pelos seus mais ilustres personagens. Muito mais do que estes símbolos singelos e concretos, mantidos com carinho, vibrava forte a voz de um filho genuíno e ufano da Igreja, apregoando seu valor para a humanidade. Muito mais poderia dizer, mas limito-me a estas simples recordações como homenagem a esse jesuíta de coração ardente, de fala contundente e de amor incondicional aos jovens e à Igreja.

Ir. Claudino Falchetto

.:2017/2018:. Movimento Oásis: um caminho de vocação. Juventude em discernimento