Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2022.

“Não nos cansemos de fazer o bem…” este é o mote lançado pelo nosso querido e desafiante Papa Francisco, no início da Quaresma e que fica a ressoar na nossa mente e no nosso coração…

E continua: “enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos” – e, aqui, detenho-me na palavra tempo! Esta questão do tempo e do que faço com ele já anda, há muito, a inquietar-me… parece que nunca me é suficiente e o que me falta parece que é justamente aquele em que poderia fazer a diferença, em que poderia fazer as coisas “extras” que saem das rotinas e das obrigações do dia a dia.

Volto a ler o mote da mensagem do Papa Francisco, desta vez, todo junto: “Não nos cansemos de fazer o bem; porque, a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido. Portanto, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos.”  E percebo que o problema não é o tempo… não há qualquer dúvida que todos, mesmo todos, temos o tempo suficiente.  O problema é o que fazemos com ele, na pressa constante com que vivemos!

Em seguida o Papa Francisco fala-nos da sementeira e da colheita e eu volto a pensar na questão do tempo que medeia entre uma e outra. Todos nós somos chamados a ser semeadores (e somo-lo, certamente!). E o tempo certo para o sermos, é cada momento do nosso dia a dia. E não há momento em que seja tão necessário como hoje, ser semeador de esperança, de paz, de fé e de amor!

E neste desalento em que nos encontramos, entre pandemia e guerra e doenças, já colhemos quando estamos a semear! E o tempo confunde-se! Não porque não seja necessário dar o devido tempo para que as sementes frutifiquem, mas sim porque se recebe tanto nesta atitude de espalhar sementes do bem! Diz-nos o Papa Francisco que “semear o bem para os outros liberta-nos das lógicas mesquinhas do lucro pessoal e confere à nossa atividade a respiração ampla da gratuidade” e, acrescento eu, da felicidade.

Que mais queremos?

Que mais queremos colher se não a felicidade gratuita que vem do amor, ou seja, que vem de Deus porque o nosso Deus é sempre e só Amor! E em cada pequeno gesto de amor, de atenção, de escuta, de caridade… estamos a ser instrumento deste Deus-Amor!

E se somos chamados a não nos cansarmos de fazer o bem isto também significa que não podemos fazer o mal – o tempo tem de ser todo aplicado ao serviço do bem e, em caso algum, a fazer o mal. Portanto, peçamos, com fervor, a Deus (e àqueles que nos rodeiam!) que nos livre dos maus pensamentos, das más palavras, dos maus atos e das omissões do bem!

Este é o nosso tempo! Este é o tempo que temos para sermos e fazermos o BEM! Este é o tempo em que semeamos e colhemos numa cadência em que o tempo deixa de ser importante porque, às vezes até colhemos sem sermos nós a semear e noutras situações semeamos para outros colherem! E, sabem? É assim que tem de ser! É assim que vivemos o despojamento, a gratuidade e o amor pleno!

Que Maria, a Boa Mãe, nos abençoe a todos e ilumine o nosso caminho nesta Quaresma.

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