Bodas de Ouro do Manel e da Leninha.
No dia 1 de janeiro de 2025, nós, o Manel e a Helena, festejámos 50 anos de casamento. Para marcar esta data tão especial, decidimos celebrá-la na Igreja de São José em Coimbra, onde trocámos votos matrimoniais e batizámos os nossos três filhos mais velhos (somos pais de quatro). Foi uma festa íntima, partilhada exclusivamente com os nossos filhos, noras, genros, netos e uma amiga muito especial, a madrinha da nossa filha mais velha.
O momento mais significativo foi o regresso às origens: "As pedras de Coimbra falam de nós, da nossa vida." Foi neste lugar que nos conhecemos enquanto estudantes, começámos a namorar, casámos e vimos nascer os nossos primeiros três filhos. Aqui, vivemos o início de um amor que, com a graça de Deus, já perdura há 50 anos.
Esta foi e é uma data fortíssima, um verdadeiro marco de felicidade na nossa caminhada juntos. A vida é como nas longas caminhadas pelos montes, embora corpo e alma se renovem e ganhem vigor, o caminho é repleto de imprevistos, dificuldades e cansaço, mas rico em momentos de grande beleza, a começar pela frescura do ar que respiramos, a beleza da natureza e paisagem. No casamento aprendemos que, por vezes, é preciso parar para descansar, contemplar o horizonte e ganhar coragem para continuar. Muitas vezes as forças fraquejaram, tropeçámos nas “pedras da vida” e enfrentámos desafios que quase nos fizeram parar. Mas no dia 1 de janeiro de 1975, perante o Altar e na presença de Deus, comprometemo-nos um com o outro. Jurámos fidelidade, prometemos estar juntos nas horas boas e más, e cantámos com devoção a Maria: “Vem connosco a caminhar, Santa Maria vem...” e no final cantámos: “vamos para a vida sem nada temer, Cristo vai connosco que belo é viver”.
Nem sempre foi, “belo viver”. Houve momentos de desalento, ofensas e desânimo... Mas o compromisso daquele dia permaneceu connosco, e os cânticos alimentaram os nossos corações, ajudando-nos a encontrar reconciliação. A vida é tão cheia! Profissões exigentes, muitas responsabilidades para criar os quatro filhos, as doenças e a velhice dos nossos pais... onde ficava o tempo só para nós dois?
Hoje, já reformados, o tempo é finalmente nosso. Voltamos às nossas origens, reencontramo-nos e respiramos a vida com renovado entusiasmo. Como canta Rui Veloso, “Tenho todo o tempo do mundo para ti...” E nós acrescentamos: para os filhos, netos, noras e genros, que continuamos a reunir e a acolher com amor, e para vivermos a nossa fé a dois ainda mais profundamente.
Um de Janeiro de 2025 foi como um recomeço, 50 anos depois, ainda mais a dois. Confirmámos e renovámos o nosso compromisso “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, …”E hoje, com mais cansaços do corpo, mais limitações físicas, queremos continuar a “dizer SIM, ao que Cristo nos diz, dá e pede”, como nos ensinou o Padre Rotondi, nas vésperas do nosso casamento.