Quatro Motetes para o Tempo de Natal | F. Poulenc.

No piano. (Francis Poulenc – Official website)

 

De entre as várias obras natalícias ou associadas ao Natal, aquela que escolhi para este texto foi: Quatre motets pour le temps de Noël, do compositor e pianista francês Francis Poulenc (Paris, 1899 – Paris, 1963).

Pertencente ao grupo Les Six (Os Seis), Poulenc procurou distanciar‐se dos paradigmas do Romantismo tardio alemão e dos compositores franceses da geração anterior cultivando uma linguagem musical mais livre e simples. Possuía também uma grande criatividade patente ao longo do seu percurso profissional a qual esteve sempre associada a uma profunda complexidade emocional, marcada pela sucessão de ciclos depressivos com fases de vívido entusiasmo. A sua produção musical foi mais profícua nos anos 30 e 40 dos quais datam algumas das mais significativas obras da sua carreira, contemplando obras sacras e profanas.

Os Quatro Motetes para o Tempo de Natal foram compostos entre 1951 e 1952 e são para coro misto a cappella. Os quatro motetes consistem em quatro miniaturas musicais que percorrem as diversas cenas da natividade, procurando invocar a paz tão característica desta quadra natalícia.

O primeiro motete, O magnum mysterium (1952), ilustra a admiração e o mistério do nascimento de Jesus, prestando também louvor à Virgem Maria (2.ª estrofe). Composto em andamento lento e com uma harmonia austera, a música é marcada por uma grande profundidade adensada por uma intensidade que cresce em direção à repetição final do texto principal (1.ª estrofe) – onde ocorre o clímax com o fortíssimo na terceira repetição da palavra “jacentem”.

O magnum mysterium

et admirabile sacramentum

ut animalia viderent Dominum natum

jacentem in praesepio.

 

Beata Virgo cujus viscera

meruerunt portare Dominum Christum.

 

O segundo motete, Quem vidistis pastores (1951), revela a mestria com que o compositor explora paisagens sonoras contrastantes dentro do mesmo texto: primeiramente na pergunta “Quem vistes, pastores?”, seguindo‐se o esplendor que anuncia a boa nova – o nascimento de Cristo.

Quem vidistis, pastores? dicite,

annuntiate nobis in terris quis apparuit?

Natum vidimus,

et choros Angelorum collaudantes Dominum.

Dicite quidnam vidistis?

et annuntiate Christi Nativitatem.

 

 

O terceiro motete, Videntes stellam (1951), reflete a noite estrelada e aconchegante sob a qual os magos viajam. O clímax é alcançado quando eles chegam ao estábulo e oferecem os seus presentes. Termina com a repetição das palavras “Videntes stellam” quase como uma lembrança de que a estrela continua lá fora a brilhar, imperturbável.

Videntes stellam Magi

gavisi sunt gaudio magno:

et intrantes domum

obtulerunt Domino aurum,

thus et myrrham.

 

O quarto motete, Hodie Christus natus est (1952), é uma proclamação de alegria, no qual os anjos, os arcanjos e os justos exultam o nascimento de Cristo Salvador e louvam a Deus nas alturas. Possui um carácter musical mais expansivo e ritmado, culminando nas palavras “Gloria in excelsis Deo, alleluia”.

Hodie Christus natus est

Hodie Salvator apparuit,

Hodie in terra canunt Angeli

laetantur Archangeli

Hodie exsultant justi dicentes:

Gloria in excelsis Deo, alleluia.

1. O Magnum Mysterium: 28:00

2. Quem vidistis pastores dicite: 32:04

3. Videntes stellam: 35:15

4. Hodie Christus natus est: 38:22

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