Santa Maria, Mãe da Igreja.

Quando me foi pedido que escrevesse um texto para esta rubrica, e sendo o mesmo para o presente mês, logo ficou decidido que seria dedicado à temática mariana. Assim, resolvi partilhar esta obra situada na igreja de Aldoar e referenciada no recentemente publicado «Catálogo Geral» da obra artística de Irene Vilar.

Esta escultura em bronze trata-se de um baixo-relevo da autoria da artista Irene Vilar, executada em 1988 e com a denominação de Santa Maria, Mãe da Igreja. Era intenção do arquiteto Alfredo Moreira da Silva, encarregado do projeto da nova igreja de Aldoar, pedir a algum artista que executasse uma peça para aquele espaço, tendo de imediato surgido o nome de Irene Vilar. Apesar de inicialmente o desejo da escultora ser o de utilizar o mármore branco, a obra acabou por ser executada em bronze devido, sobretudo, à dificuldade em encontrar uma peça inteira de mármore totalmente branco sem a presença de veios.

Tratando-se de uma obra de 1988, altura em que Irene Vilar já tinha definido o seu estilo, esta apresenta alguns traços identitários da sua maneira tão reconhecida de representar temáticas religiosas: é visível a nuvem em que é envolvida a imagem dando uma certa impressão de que a mesma se encontra enevoada como que envolvida pelo mistério, sem contornos visíveis, como se de um vulto se tratasse; também se nota a eloquência das mãos, a direita estendida ao chão do lado das ondas e da fonte batismal, e a esquerda sobre o peito.

Situada na parede do batistério da igreja paroquial de Aldoar, a obra serve de cenário ao sacramento do Batismo pelo qual, em Cristo, somos regenerados para uma filiação divina. As ondas, surgindo do lado da fonte batismal, como que são o seguimento daquela água de vida nova onde nasce a comunidade eclesial. É nessa água que os batizados, sepultados e ressuscitados com Cristo para uma vida nova, acolhem, também, a Mãe de Jesus como sua própria Mãe, segundo o mandato de Cristo na cruz a Maria e ao discípulo amado: «Mulher, eis o teu filho», «Eis a tua Mãe» (Jo 19,26-27). Ao mesmo tempo que, pelo Batismo, os batizados se tornam filhos no Filho, são também inseridos na comunidade eclesial. Assim, ao colocar Maria sobre as ondas aludindo a essa água batismal, a escultora representa Maria como mãe de todos aqueles que são batizados e, portanto, mãe de toda a comunidade eclesial.

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A obra da escultora Irene Vilar.