A alma não morre.

‘Os incapazes de actos conscientes e as crianças, antes do uso da razão, terão alma?’

Pergunta feita a P. Rotondi, por Francesco Pisciotta

 

“...O homem – a pessoa humana – constitui um todo único, uma unidade inseparável; mas, esta é composta: compõe-se de um corpo que é ‘matéria’ e de uma alma que é ‘espírito’. As faculdades da alma operam através de determinados órgãos do corpo: se estes funcionam mal ou se, de facto, não funcionam, a vida da alma aparece como que paralisada.

Aparece: de facto, é uma questão só de aspecto ‘visível’ desta complexa realidade que é a vida. Mas, o homem mantém, também, uma relação misteriosa e invisível - e todavia real - com o seu Criador. Vive, também, uma esfera transcendente: participa na vida divina - e precisamente, na medida em que a inteligência e a vontade guiam as suas acções para o bem - de Deus que é o bem supremo.

Deste ponto de vista, também os que não têm consciência da sua realidade estão numa condição, paradoxalmente, privilegiada; um pouco como acontece com as crianças baptizadas que ainda não têm o uso da razão: sendo incapazes de actos responsáveis, são incapazes de fazer o mal, de cometer o pecado e, por isso, não são capazes de criar obstáculos à graça divina que opera em cada um de nós, por efeito daquela misteriosa relação com Deus.

Neles, a vida divina cresce naturalmente, como uma vegetação espontânea.

Por isso, nestes a alma não se separa do corpo; neles não morrem os efeitos espirituais, mas vivem numa medida maior do que nos outros – muitíssimos outros – conscientes da vida do espírito.

Paradoxo? Sim, paradoxo!...

São, todavia, as verdades da fé que nos revelam a realidade - por vezes, chocante - que inverte completamente as aparências humanas: mas estas são as nossas certezas consoladoras...”    

(in, Cosí, semplicemente II.  L’Uomo, pag. 36-37)

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