O que devemos evitar ao falar?
Em primeiro lugar, devemos evitar o que é contrário à nossa humildade, fundamento de todo o edifício da nossa perfeição. As palavras que soam a presunção; que tendem a mostrar os nossos verdadeiros ou presumidos valores; que têm como propósito evidenciarmo-nos dos outros; que nos levam a formular desculpas desnecessárias, quando as acusações eram, porventura, fundadas ou, em qualquer caso, não prejudicavam a nossa vida; tais palavras devemos evitá-las a todo o custo, com o máximo cuidado. E quando saíssem da boca, deveríamos considerá-las defeitos graves; defeitos particularmente prejudiciais para o nosso progresso no caminho da perfeição.
Devemos evitar dizer palavras que ofendam a verdade. Cristo é a verdade: ofender a verdade é ofendê-l’O. A verdade é ofendida, é claro, com a mentira; ofende-se dando o tom de certeza ao que são, simplesmente, as nossas opiniões; ofende-se reagindo, contradizendo alguém, quando temos a certeza de que nosso interlocutor está a falar a verdade, está a dizer o que é justo. Devemos evitar dizer palavras que ofendam a caridade.
Quero recordar-vos o que tantas vezes dissemos e escrevemos sobre esta virtude: distintivo do cristão, característica inconfundível dos que querem viver a espiritualidade do Movimento Oásis.
Se faltar o compromisso contínuo - como preocupação constante – de ser caridoso com os outros, faltaria a essência do nosso Movimento e, até, o essencial do nosso cristianismo. Ora, a caridade é certamente feita de obras; mas, é, também, feita de palavras: de palavras ditas e de palavras não ditas.
Acautelemo-nos - rogo-vos com toda a alma - das palavras que soam insinuantes; que soam suspeitas; que soam a más interpretações do agir dos nossos irmãos: de todos os nossos irmãos.
Acautelemo-nos, também, de difundir, quando não é necessário - e quase nunca é necessário! – notícias que possam diminuir a estima de que os outros gozam.
E quando nos encontrarmos a escutar alguém que peca com a língua, usemos um formidável instrumento para chamá-lo à ordem: o silêncio absoluto.
Peço-vos este propósito particular: calar - absoluta e obstinadamente, calar - quando ouvimos falar mal dos outros. O nosso silêncio, nessa ocasião, será a reprovação mais eficaz para aqueles que estão a falar imprudente e injustamente.
Eis dois pensamentos que nasceram no meu coração:
Por um lado, é preciso recolhermo-nos um pouco mais; calar um pouco mais, especialmente em certas horas do dia. Por outro lado, é preciso falar sem ofender a humildade que está na base da nossa perfeição e sem ofender a caridade que é edifício da nossa perfeição.
Rezo ao Senhor Jesus que vos inunde de luz e vos faça compreender quão séria e grave é a advertência que o Apóstolo nos faz. "Se alguém se considera uma pessoa piedosa, mas não refreia a sua língua, enganando assim o seu coração, a sua religião é vazia”. (cf. Tiago 1, 26)
(Cartas Simples, 7 Maio 1964)