Eu sou teu servo.
“Eu sou teu servo; teu servo e filho da tua serva” (Salmo 116, 16)
“Servo”: disponível; pronto a fazer o que Tu queres que eu faça; pronto a confiar-me a Ti, a confiar em Ti, a entregar-me a Ti, para que Tu digas, disponhas e peças.
Eu sou o Teu servo, com todos os deveres de um servo. Eu sou Teu “servo”: não “ocasionalmente”, não adquirido, não comprado, mas por natureza; de facto, sou filho da Tua serva; nasci em estado de serviço; sou servo a partir do primeiro momento do meu existir; sou “todo” servo; tudo em mim é para o Teu serviço, destinado ao Teu serviço.
Sou filho da Tua serva. A Tua serva é Maria, que Tu “pensaste” e “quiseste” e “plasmaste” servindo-Te da Tua omnipotência, da Tua sapiência e do Teu amor. Fizeste-a como era Teu poder fazê-la: nada lhe falta daquilo que uma criatura pode ter.
A Tua serva é Maria que é, também, Tua mãe porque no seu seio Te formaste, Te fizeste homem, entrando na história, fazendo-Te como nós, tornando-Te um de nós.
Sou filho desta Tua serva. Sinto-me filho. Este pensamento enche de alegria a minha alma.
Trata-se, então, de ver, de saber, se imito a minha mãe – a Tua Mãe – nesta totalidade, espontaneidade, generosidade e alegria de serviço.
Trata-se de ver se da “nossa” Mãe eu acolho a atitude da humildade: a inefável atitude que espanta quando a descobrimos ao ler o Evangelho de Lucas.
Trata-se de saber se sei esquecer-me de mim, se reconheço as maravilhas e as atribuo, com imediata espontaneidade, Àquele que é todo-poderoso; se sei calar-me para ouvir, para conservar a Tua palavra, para a refletir e a tornar realidade a todo o custo. Trata-se de ver se eu sirvo a Deus como O serviu Maria.
Maria, entrando, por assim dizer, na minha vida conferiu tons gentis, ténues e, todavia, quentes à minha relação com Deus: verdadeiro Patrão absoluto e, contudo, meu Pai amantíssimo.
(Ascolta, si fa sera, pág. 331)