Maurits Cornelis Escher: quem foi e o que fez?
AUTO – RETRATO, 1943, LITOGRAFIA
Mauritus Cornelis Escher nasceu em Leeuwarden, na Holanda, em 1898, e faleceu em 1972.
Desde pequeno, Escher destacou-se nas aulas de desenho. O pai, engenheiro hidráulico, considerava que ele deveria estudar algo na área de ciências exatas e matriculou-o em Arquitetura. Porém, em pouco tempo, verificou-se que ele não tinha nenhuma inclinação para esta área e o futuro artista inscreveu-se numa escola de artes gráficas. Nessa altura, quem o acompanhou foi o professor Samuel Jesserun de Mesquita com o qual aprendeu a dominar extraordinariamente as técnicas de gravura artística.
Escher dedicou, depois, toda a sua vida às artes gráficas.
Maurits Cornelis Escher
Quando terminou os seus estudos, Escher decidiu viajar!
Numa dessas viagens, visitou o Palácio de Alhambra, construído no século XIII, em Granada, onde observou os azulejos mouros.
Figura: Decoração de Alhambra
Este contacto com a arte árabe está na base do interesse de Escher pelas pavimentações, onde as figuras geométricas se transformam, se repetem, se refletem.
No entanto, no preenchimento do plano, Escher substituiu as figuras abstratas e geométricas, utilizadas pelos árabes, por figuras concretas, algumas existentes na natureza, como pássaros, peixes, figuras humanas,...
Aguarela 66
Litografia Espelho Mágico
A figura abaixo corresponde a um pormenor da aguarela 66, pintada por Mauritus Cornelis Escher, em 1945. Esse mesmo motivo foi usado por este artista gráfico na sua Litografia Espelho Mágico, em 1946.
Aguarela 66
Litografia Espelho Mágico
Um aspeto muito interessante da obra de Escher é que muitas das imagens que este artista elaborou foram intencionalmente criadas usando a ilusão de ótica.
Escher parece gostar de nos confundir com artimanhas visuais de diversos tipos, que fazem com que tudo pareça normal e comum, até certo ponto, mas, se observarmos mais de perto e com mais rigor, abre-se-nos um mundo de paradoxos que poucos artistas conseguiram expressar com tanta força como ele.
Olhemos atentamente para a litografia Subindo e descendo, e acompanhemos visualmente o movimento de um dos monges que estão na escada. O que vemos?
Subindo e descendo, Litografia, 1960
Nesta litografia, está representada uma cena que, observada pela primeira vez e de uma forma superficial, parece apenas a representação de um grupo de pessoas que estão a subir uma escada que não tem princípio nem fim. No entanto, olhando de um modo mais aprofundado, damo-nos conta de que, apesar de todos estarem prontos para subir a escada no degrau seguinte, após completarem uma volta completa, voltarão ao ponto de partida sem na verdade subirem um centímetro sequer!
Observemos agora a sua litografia Queda D’ Água, de 1961.
QUEDA D’ÁGUA - LITOGRAFIA, 1961
Analisando a figura e seguindo a água, temos a impressão que ela corre para baixo, afastando-se de nós, mas, subitamente, o ponto mais afastado e mais baixo parece ser idêntico ao mais alto e mais perto e a água continua a cair e manter a roda em movimento eterno!
Claro que a intenção de Escher não era propriamente divertir-se à nossa custa e à custa da nossa dificuldade em ver, mas pelo contrário, com os seus truques visuais, pretendia que treinássemos o nosso olhar, observando o que nos rodeia com mais profundidade, descobrindo aquilo que está para além das aparências.