Um outro olhar.

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Quando entramos na Capela, do Centro de Espiritualidade do Movimento Oásis, somos tocados pela contemplação do tríptico painel de azulejos, do mestre Avelino Leite, representando a Anunciação do Anjo, Jesus no Horto das Oliveiras e a Assunção de Nossa Senhora.

Cada um destes painéis orienta-nos para um SIM: o SIM de Maria; o SIM de Jesus e o SIM de Deus à humanidade.

 

- O primeiro painel, profundamente vincado de azul, representa a Anunciação do Anjo.

Maria - toda envolvida de céu, desapegada das amarras humanas, inteiramente disponível para os desígnios de Deus – deixa-se habitar pela força do Espírito: raios de luz que entram no seu coração e A moldam, segundo o sentir d’Aquele que a chamou a colaborar na obra da redenção, dando vida ao Senhor da Vida.

Ali, não figura o Anjo que, habitualmente, vemos presente nas representações da Anunciação. A voz de Deus ouve-se no íntimo da alma. A resposta do Homem dá-se no mais fundo do coração. Neste diálogo, de profunda intimidade e cheio de espiritualidade, as palavras de Maria ressoam, ainda hoje, como compromisso de entrega, de fidelidade, de serviço incondicional, de amor terno e humilde pelo seu Senhor e pela humanidade: ‘Eis a serva do Senhor…’: O SIM da Anunciação.

Guardando - no coração e em silenciosa contemplação - as palavras do Anjo, Maria sabe que a sua vida adquiriu um outro rumo, um outro ritmo, uma outra missão: “... Ave, cheia de graça … Não temas, Maria… O Senhor olhou para a sua humilde serva…”

A serva fez-se SIM; um sim que abriu portas a uma nova humanidade.

 

- O segundo painel, nos mesmos tons de azul, mostram Jesus, no Jardim das Oliveiras.

O céu e a terra unidos, expectantes, para acolher a oração de Jesus que - desafiando o medo, a angústia, a aridez da cruz e a dor do cálice que está para beber – reza ao Pai: “…Pai, afasta de mim esta hora … Pai, seja feita a Tua vontade…”

‘Faça-se, ó Pai…” exprime a adesão total da vontade humana à vontade divina. Jesus sabe que o Pai o ama, que o envolve com a sua ternura, com o seu de afecto, com o seu poder omnipotente. Tomado pela confiança plena, abandona-se nas Suas mãos.

A representação plástica desta cena, apresenta um Cristo abandonado, só, antecipando o momento da sua prisão, quando os discípulos fogem, abandonando-o à sua sorte. Só Ele e o Pai que o envolve de luz. “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito..”

O SIM de Cristo - o SIM da Cruz - é, em primeiro lugar, um SIM a Deus: um Sim de amor, de confiança, de entrega, de abandono, de fidelidade. Um SIM que une, radicalmente, o Pai e o Filho; que traz a fonte da Vida e do Amor para os caminhos do mundo; que renova a esperança da instauração dos novos céus e da nova terra; que sacia a incerteza e a inquietação humanas, na verdade libertadora da graça.

O SIM de Cristo é, também, um Sim à humanidade, a cada um de nós: ao doar-se ‘até à morte e morte de cruz’, Jesus confirma que abraça o mundo inteiro; oferece-lhe o seu amor; desafia-o à santidade e à renovação total da vida; desperta para o serviço do Evangelho; estabelece laços de entrega e de missão.

É por Ele que podemos abeirar-nos do Pai.

 

- O terceiro painel representa a Assunção de Maria: liberta das amarras da terra - na profusão das cores que a envolvem - Maria surge identificada com a santidade de Deus - no azul suave das suas vestes - e toda de Deus, assumida por Deus - nas línguas de fogo que marcam o seu coração. Afirmando a sua condição de serva, Deus encheu-a de bem-aventurança: ‘O Senhor pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante, me chamarão bem-aventurada todas as gerações’.

O SIM de Deus à humanidade…

Na Assunção de Maria, é toda a humanidade que é chamada a participar da glória de Jesus ressuscitado. Em Maria, vemos já realizada a nossa esperança de vida eterna. No seu triunfo, vemos o espelho da Igreja, chamada à plenitude da vida, em cada um dos seus filhos; em Maria, o triunfo do Amor esmaga o pecado e a morte.

Neste painel, recordamos um pouco da nossa história: o início do Movimento Oásis. No dia 1 de Novembro de 1950, em Roma, o Papa Pio XII proclamou o dogma da Assunção de Nossa Senhora. “…depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito da verdade, para glória de Deus omnipotente que à Virgem Maria concedeu a sua especial benevolência; para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte; para aumento da glória da sua augusta Mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos S. Pedro e S. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial…” (Munificentissimus Deus n. 44).

À mesma hora, na Capela da Senhora do Sim, numa lateral da Igreja de Trinitá dei Monti, Padre Rotondi e trinta jovens consagravam as suas vidas a Jesus - Rei Divino e Salvador do mundo -, por Maria, para que, pela acção do Espírito, transformassem o deserto do Mundo num OÁSIS de vida, de esperança e de santidade.

 

Contemplando estes painéis e a verdade que eles encerram e nos transmitem, somos chamados a ser SIM: um Sim de serviço; um sim de amor e de fidelidade; um sim de esperança.

 

 

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