A esperança está radicada no coração do homem.

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Ouvimos repetir, muitas vezes, que o nosso tempo é um tempo sem esperança. Parece, de facto, que nas gerações jovens, ou ao menos numa parte dela, o mundo da confiança e da esperança se desfez, o cepticismo propagou-se e a fonte da vida esgotou-se.

Pessoalmente, penso que se trata de um fenómeno recorrente que, vivido por alguns, e dando lugar a episódios que fazem dolorosas manchetes de jornais e são injustamente generalizados, etiquetando o todo pela parte.

 Apesar das aparências, a esperança não pode ser erradicada do coração do homem. Até o homem mais descrente, mais céptico, que tem gestos desesperados, no fundo, espera qualquer coisa que acabe com a sua solidão, as suas perdas e o seu desespero. Porque, apesar de tudo, a esperança permanece profundamente radicada no coração do homem. O que a vida pode fazer com seus afectos e, muitas vezes, com as experiências trágicas, faz mudar a direcção da nossa esperança: degradando-a ou tornando-a banal; sufocando-a temporariamente ou cortando-lhe as suas asas. Mas, nunca poderá suprimi-la completamente.

Para a sua vitalidade persistente, a esperança pode ser considerada uma força natural do homem. Ela faz pensar na fonte que ninguém pode extinguir. Se a impedimos de correr no seu leito natural, ela imergirá noutro lugar, mesmo depois de um longo e subterrâneo caminho. É como a árvore de que fala Job: “…se é podada, pode ainda reverdecer
e deitar novos rebentos…” (Job 14, 7)

É a esperança, definitivamente, que domina a nossa existência. Porque, se vivemos no hoje, não vivemos só do hoje: pensamos, desejamos, esperamos, decidimos para o amanhã, isto é, animados e impelidos pela esperança.

Pode, muitas vezes, parecer-nos que a esperança é uma pequena coisa que podemos suscitar, dirigir ou suprimir à nossa medida; mas, pelo contrário, é ela que nos possui; é nela que estamos imersos num grande oceano.

Certamente, podemos esperar as coisas mais diversas: o maior como o mais frívolo; o mais elevado como o mais mesquinho; mas, todos estamos imersos na esperança como um elemento natural.

A esperança é, sempre, uma porta aberta para o futuro. É uma declaração contra todos as coisas que são ou foram e pretendem imprimir a sua marca naquilo que será; é a libertação da alma que escapa ao domínio das coisas para se colocar diante de horizontes livres e abertos ao amanhã.

A experiência humana é, que muitas vezes, a esperança engana e se transforma em amargura e desilusão. Isto acontece quando a origem da esperança sou eu e sobretudo eu; não há outra vida senão a minha vida; e não tem outro fundamento a não ser os homens. Então, as raízes da esperança é como se mergulhassem no vazio, e toda a nossa esperança acaba por tornar-se prisioneira do nosso desespero. Se a esperança, segundo a palavra de um escritor sagrado, é “a âncora da alma” (Heb. 7, 19) é essencial saber onde esta âncora mergulha.

                                                                                       (Ascolta, si fa sera, pag. 57-58)

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